Acordo Mercosul-UE pode impulsionar indústria brasileira, mas aumenta desafio competitivo.
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Após 26 anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia promete ampliar a competitividade regional e inserir empresas brasileiras de forma mais estratégica no mercado global. Juntos, os dois blocos reúnem 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões, embora o tratado ainda esteja travado no Parlamento Europeu.
Segundo o professor de finanças da Strong Business School, Jarbas Thaunahy, empresas da indústria de transformação e cadeias já integradas ao comércio exterior tendem a ser as mais beneficiadas. “Setores como máquinas e equipamentos, produtos químicos, bens intermediários, metalurgia e autopeças ganham destaque. A redução de tarifas sobre bens de capital e insumos tecnológicos importados da Europa pode acelerar a modernização das plantas industriais, especialmente em áreas como eletrificação e automação”, detalha.
Simulações do MDIC indicam que o acordo pode gerar impacto positivo acumulado de 0,34% no PIB brasileiro até 2044, o equivalente a cerca de R$ 37 bilhões. Por outro lado, o avanço da indústria europeia, especialmente no setor automotivo, pode elevar a concorrência interna. “O Grande ABC pode ganhar competitividade se investir em inovação e eficiência, mas corre risco de perder espaço em segmentos onde não conseguir acompanhar esse avanço tecnológico”, alerta o professor.