Acreditação hospitalar: o que é, quais os níveis da ONA e quando buscar
BlogO que é acreditação hospitalar, como funcionam os níveis da ONA, se o selo é obrigatório e quando vale a pena buscá-lo.
Acreditação hospitalar é a avaliação externa e voluntária que atesta se um hospital cumpre padrões de qualidade e segurança do paciente; no Brasil, o selo mais difundido é o da ONA, concedido em três níveis: Acreditado (Nível 1), Acreditado Pleno (Nível 2) e Acreditado com Excelência (Nível 3). O mapa da ONA consultado em 17/10/2026 registra 1.802 organizações acreditadas em 25 unidades da federação, e o Manual vigente, versão 2026/2029, cobre 18 tipos de serviços de saúde, do hospital ao laboratório.
A tese deste artigo: o selo não é um diploma que o hospital pendura na recepção, e sim a consequência visível de um método de gestão, e esse método só funciona quando alguém traduz padrão em rotina de plantão. Por isso a acreditação é, antes de tudo, uma agenda de liderança. O MBA FGV com ênfase em Serviços de Saúde da Strong Business School é um dos caminhos para quem quer assumir essa agenda.
O que é acreditação hospitalar e quem a concede no Brasil?
É uma avaliação feita por entidade externa, que compara os processos do hospital com um manual de padrões e conclui em qual nível a organização se enquadra. A Organização Nacional de Acreditação (ONA) escreve o manual e define os níveis. Quem visita o hospital e emite o parecer é uma Instituição Acreditadora Credenciada (IAC), organização selecionada pela ONA para avaliar instituições de saúde pelos procedimentos e metodologias dela.
Segundo a página das acreditadoras da ONA, cada IAC tem três atribuições: avaliar organizações, serviços e programas de saúde com base no Manual Brasileiro de Acreditação específico, promover atividades educativas sobre os processos de acreditação e certificação, e capacitar a própria equipe de avaliadores. A divisão de papéis ajuda a ler o selo: a ONA escreve a régua, e a IAC mede.
O Manual para Organizações Prestadoras de Serviços de Saúde, versão 2026/2029, serve para avaliar 18 tipos de organização, entre eles serviços hospitalares, hemoterapia, laboratoriais, oncológicos, ambulatoriais, atenção domiciliar, telessaúde, odontológicos, reprodução humana, imunização e instituições de longa permanência para idosos. O mapa de acreditações da ONA lista cerca de 30 categorias de serviço nos filtros, o que confirma que o selo não pertence só a hospitais: o total de 1.802 organizações inclui serviços hospitalares, laboratoriais e outras categorias.
Quais são os níveis da acreditação ONA e o que cada um reconhece?
São três níveis de certificação, precedidos por uma etapa de base chamada Nível Fundamento. A página da Jornada de Acreditação da ONA descreve cada degrau assim:
| Etapa | Denominação | O que a ONA diz que o nível reconhece |
|---|---|---|
| Nível Fundamento | Etapa anterior ao Nível 1 | Cria as bases essenciais para a qualidade |
| Nível 1 | Acreditado | Atendimento aos requisitos de segurança e conformidade dos processos assistenciais e organizacionais |
| Nível 2 | Acreditado Pleno | Integração dos processos, maior maturidade da gestão e alinhamento entre as áreas da instituição |
| Nível 3 | Acreditado com Excelência | Organização orientada por resultados, com processos integrados, melhoria contínua, inovação e cultura organizacional consolidada |
A leitura prática é que os níveis medem maturidade, não tamanho. O Nível 1 pergunta se o hospital faz o que a norma pede de segurança. O Nível 2 pergunta se as áreas (enfermagem, farmácia, laboratório, manutenção) operam como um sistema. O Nível 3 pergunta se o hospital mede os próprios resultados e melhora sem depender de cobrança externa. A própria ONA afirma que a jornada não termina na certificação e aponta a Alta Confiabilidade como estágio além do Nível 3.
Os filtros do mapa da ONA separam as organizações por tipo de gestão (filantrópica, militar, organização social, privada e pública) e por certificação (Acreditado, Acreditado Pleno, Acreditado com Excelência e Selo).
A acreditação hospitalar é obrigatória?
Não: as normas sanitárias e profissionais que regem o hospital exigem segurança do paciente e responsável técnico, mas nenhuma das três citadas aqui usa o selo da ONA como condição de funcionamento. A confusão costuma nascer porque a segurança do paciente é, sim, obrigatória, e o selo é uma das formas de demonstrá-la.
| Exigência | Natureza | Base |
|---|---|---|
| Núcleo de Segurança do Paciente e notificação mensal de eventos adversos | Obrigatória, para serviços públicos, privados, filantrópicos, civis e militares, inclusive os de ensino e pesquisa | RDC Anvisa nº 36, de 25/7/2013 |
| Programa Nacional de Segurança do Paciente | Política nacional que orienta os serviços | Portaria MS nº 529, de 1º/4/2013 |
| Diretor técnico médico; diretor clínico escolhido pelo corpo clínico | Obrigatória; sem exigência de formação médica para diretor administrativo ou superintendente | Resolução CFM nº 2.147/2016 |
| Acreditação em Níveis 1, 2 ou 3 | Voluntária, percorrida como jornada | Manual ONA 2026/2029 |
Há uma consequência de gestão nessa tabela. A Resolução CFM 2.147/2016 reserva a direção técnica ao médico e não exige formação médica para a direção administrativa, o que abre a gestão do hospital a profissionais de administração. Já a RDC 36/2013 obriga o hospital a ter um núcleo que monitora eventos adversos todo mês. Na leitura deste artigo, o hospital que chega à acreditação com esse núcleo funcionando já tem a base de dados de segurança que o Nível 1 pressupõe.
O que muda na rotina do hospital que busca a acreditação?
Muda a forma de provar o que se faz: processos passam a ter dono, indicador e evidência registrada, e o avaliador confronta o papel com a prática no plantão. A lógica de comparar a percepção da gestão com a experiência real aparece em um estudo premiado, publicado na Revista Estudos e Negócios, publicação da Strong Business School (nº 40, jan–jun/2026, pp. 66–67). A pesquisa foi feita em uma pousada de 30 quartos em Cabo Frio (RJ), cruzou avaliações espontâneas de hóspedes na plataforma Booking.com entre 2021 e 2024 com entrevistas com os gestores, e mediu a distância entre o que a gestão acredita entregar e o que o cliente percebe. O trabalho recebeu a Medalha ABQ Mérito à Qualidade João Mário Csillag, em novembro de 2025, e teve entre os orientadores um professor da Strong, o Dr. Flávio Basta. A acreditação aplica o mesmo princípio a um hospital: o avaliador externo é o hóspede que não pertence à casa.
Um exercício numérico ajuda a ver o que a gestão acompanha. Hipótese ilustrativa, não é dado de um hospital real: um hospital geral de 150 leitos com ocupação de 80% tem 120 pacientes internados por dia e 43.800 pacientes-dia por ano (150 × 0,80 × 365). Com permanência média de 5 dias, são 8.760 internações. Se registrar 3 eventos adversos a cada 100 internações, soma 263 eventos por ano; se a revisão de processos baixar a taxa para 2 a cada 100, serão 175, ou 88 eventos a menos. A conta mostra por que o indicador relevante é a taxa por 100 internações, e não o número absoluto: o número absoluto sobe quando o hospital cresce, e a taxa só cai quando o processo melhora.
Que tamanho tem o setor que o gestor de saúde administra?
É um setor de escala nacional: 52.957.510 vínculos de planos médico-hospitalares em abril de 2026 e 535.392 leitos cadastrados no CNES. Os vínculos, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em divulgação do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), distribuem-se por modalidade assim: a Medicina de Grupo concentra 40,35% deles, seguida pelas cooperativas médicas, com 35,01%. Os 535.392 leitos, segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) divulgado pelo Poder360 em 9/4/2025, se concentram no Sudeste (41,3%), seguido de Nordeste (26,5%) e Sul (15,7%).
A leitura para quem pensa em carreira: um sistema com esse volume precisa de profissionais que leiam indicadores e conduzam processos. O Guia de Carreiras da Strong tem a página da carreira de Administrador, com atribuições, trajetória e a consulta de salários, que ficam na página do guia.
Quando vale a pena um hospital buscar a acreditação?
Vale buscar quando três condições estão presentes: um núcleo de segurança que já notifica, um patrocinador na direção e indicadores medidos de forma contínua. Esta é a tese do artigo transformada em triagem:
- O Núcleo de Segurança do Paciente funciona e notifica todo mês, como exige a RDC 36/2013. Sem ele, o Nível 1 começa do zero.
- A direção, e não só a qualidade, patrocina o processo. A acreditação mexe em rotinas de várias áreas, e o Nível 2 mede justamente a integração entre elas.
- Há pelo menos um conjunto pequeno de indicadores (por exemplo, eventos adversos por 100 internações) medido de forma contínua, porque o Nível 3 só se sustenta com resultado mensurável.
Se uma das três falta, o caminho recomendado é o Nível Fundamento, que a ONA descreve como etapa de base. O risco de pular essa etapa é transformar a acreditação em preparação para a visita, e não em mudança de processo.
Como a Strong forma o gestor que conduz esse processo?
O caminho de pós-graduação é o MBA FGV com ênfase em Serviços de Saúde, e o de graduação é o curso de Administração. Segundo a página do curso, o MBA FGV com ênfase em Serviços de Saúde dura 18 meses, é noturno e blended (metade das disciplinas ao vivo, por webconferência, e metade presencial), tem 18 disciplinas (9 + 9), turmas com início em março de 2027 e unidades em Alphaville, Osasco, Santo André e Santos. A graduação em Administração dura 4 anos, é presencial, tem turmas diurna e noturna, e a próxima turma, em Santo André e Santos, começa em fevereiro de 2027.
Fontes e metodologia
Os dados sobre níveis, Manual 2026/2029, acreditadoras e total de organizações acreditadas vêm das páginas da ONA (Jornada de Acreditação, Mapa de Acreditações, ficha do Manual e Acreditadoras), consultadas em 17/10/2026. As exigências legais vêm da RDC Anvisa nº 36/2013, da Portaria MS nº 529/2013 e da Resolução CFM nº 2.147/2016. Os vínculos de planos de saúde vêm da ANS, via IESS (abril de 2026), e os leitos, do CNES, via Poder360 (9/4/2025). O exercício dos 150 leitos é uma hipótese numérica ilustrativa. A informação da Revista Estudos e Negócios, publicação da Strong Business School, está citada com edição e página no texto.
Perguntas frequentes sobre acreditação hospitalar
O que é acreditação hospitalar?
É a avaliação externa e voluntária que verifica se o hospital cumpre padrões de qualidade e segurança do paciente. No Brasil, a ONA define o manual e os níveis, e uma Instituição Acreditadora Credenciada faz a avaliação.
Quais são os níveis da acreditação ONA?
Nível 1 (Acreditado), Nível 2 (Acreditado Pleno) e Nível 3 (Acreditado com Excelência), precedidos pelo Nível Fundamento. Cada um reconhece, respectivamente, segurança e conformidade, integração e maturidade de gestão, e orientação a resultados com melhoria contínua.
Quantas organizações são acreditadas pela ONA?
O mapa da ONA consultado em 17/10/2026 informa 1.802 organizações acreditadas em 25 unidades da federação. O total inclui serviços hospitalares, laboratoriais e outras categorias de serviço.
A acreditação hospitalar é obrigatória?
Não. É obrigatório ter Núcleo de Segurança do Paciente e notificar eventos adversos todo mês (RDC Anvisa 36/2013). A acreditação ONA é voluntária.
Quem avalia o hospital?
Uma Instituição Acreditadora Credenciada (IAC), selecionada pela ONA, que avalia pelo Manual Brasileiro de Acreditação e capacita os próprios avaliadores.
Que formação ajuda a conduzir a acreditação?
Formação em administração e gestão de serviços de saúde. A Strong oferece o MBA FGV com ênfase em Serviços de Saúde e a graduação em Administração; a carreira de Administrador está detalhada no Guia de Carreiras.