Dia das Crianças: o que muda quando o consumidor presenteia mais de uma criança?
BlogPesquisa da Strong mostra que 56,3% de quem pretende presentear inclui mais de uma criança. Veja o cálculo e como testar ofertas para esse consumidor.
No levantamento da Strong Business School, 56,3% das pessoas que pretendiam presentear no Dia das Crianças planejavam incluir duas ou mais crianças. O percentual resulta de 237 respondentes entre os 421 que indicaram ao menos uma criança, dentro de uma base de 607 participantes da Região Metropolitana de São Paulo. Para o varejo, o dado recomenda analisar o orçamento por destinatário, além do valor total de uma compra.
Publicada na edição 40/2026 da revista Estudos e Negócios, a pesquisa de estudantes de Administração da Strong transforma uma pergunta sobre consumo em informação para decisões de varejo. Este artigo desenvolve a análise da quantidade de destinatários e suas aplicações ao planejamento de ofertas.
Quantas crianças cada consumidor pretendia presentear?
Dos 607 respondentes, 186 indicaram nenhuma criança; 184, uma; 144, duas; 66, três; 19, quatro; e oito, cinco. As seis contagens somam exatamente 607, permitindo reconstruir a distribuição dessa pergunta sem estimar valores pela altura das barras.
| Crianças por respondente | Respondentes | Participação na base | Soma das quantidades declaradas |
|---|---|---|---|
| Nenhuma | 186 | 30,6% | 0 |
| Uma | 184 | 30,3% | 184 |
| Duas | 144 | 23,7% | 288 |
| Três | 66 | 10,9% | 198 |
| Quatro | 19 | 3,1% | 76 |
| Cinco | 8 | 1,3% | 40 |
| Total | 607 | 100% | 786 |
Fonte: Estudos e Negócios 40/2026, gráfico 4, posição 8 do PDF. Percentuais recalculados com uma casa decimal; a soma das parcelas arredondadas pode diferir de 100%.
A última coluna multiplica cada quantidade pelo número de respondentes da linha. No grupo de duas crianças, por exemplo, 144 × 2 = 288. O resultado final, 786, é a soma das quantidades mencionadas por todos os participantes, sem identificação individual de quem receberia os presentes.
Como foi calculado o percentual de 56,3%?
Primeiro, foram excluídas dessa conta as 186 pessoas que indicaram nenhuma criança. Restaram 607 − 186 = 421 pessoas com intenção de presentear. Em seguida, somaram-se os grupos de duas a cinco crianças: 144 + 66 + 19 + 8 = 237. A divisão 237 ÷ 421 resulta em aproximadamente 56,3%.
O denominador é parte do resultado. Se a pergunta fosse “qual parcela de todos os participantes pretende presentear duas ou mais crianças?”, a resposta seria 237 ÷ 607 = 39,0%. Não existe contradição entre 56,3% e 39,0%: o primeiro percentual considera apenas quem pretende presentear; o segundo inclui também quem não pretende.
Para uma loja que organiza ofertas destinadas a compradores da data, os 56,3% ajudam a dimensionar a presença de vários destinatários na mesma decisão. Para descrever o conjunto dos entrevistados, a apresentação deve manter os 607 participantes e informar o grupo de 186 sem intenção de presentear.
Qual grupo concentra a maior parte das menções a crianças?
As pessoas que pretendem presentear duas ou mais crianças respondem por 602 das 786 menções, ou 76,6%. A conta soma 288 do grupo de duas crianças, 198 do grupo de três, 76 do grupo de quatro e 40 do grupo de cinco.
O contraste ajuda a enxergar o peso do comportamento: os 237 participantes com vários destinatários representam 56,3% de quem pretende presentear, mas concentram 76,6% da soma de destinatários declarados. Essa concentração decorre da própria quantidade informada, sem demonstrar maior gasto ou maior receita.
Há ainda um recorte menor: 93 pessoas pretendem presentear três, quatro ou cinco crianças. Elas equivalem a 22,1% da base de 421 com intenção de presentear e somam 314 menções, aproximadamente 39,9% do total de 786. Novamente, a unidade é destinatário mencionado, com possíveis repetições entre participantes.
Para uma análise de catálogo, esse resultado sugere testar também combinações para três ou mais destinatários. As 93 respostas ajudam a identificar esse comportamento; a definição de preços, descontos e estoque será apoiada pelos registros de vendas e pelas condições comerciais da loja.
Por que a quantidade de destinatários muda a leitura do orçamento?
Porque um orçamento total de R$ 300 representa possibilidades distintas quando precisa atender uma, duas ou três crianças. Em uma divisão igual, são R$ 300, R$ 150 e R$ 100 por criança, respectivamente. A conta é uma simulação editorial; a pesquisa não informou esses valores de orçamento.
| Quantidade de crianças | Orçamento médio por criança | Hipótese do exemplo |
|---|---|---|
| Uma | R$ 300 | Todo o orçamento para um destinatário. |
| Duas | R$ 150 | Divisão igual entre os dois destinatários. |
| Três | R$ 100 | Divisão igual entre os três destinatários. |
| Quatro | R$ 75 | Divisão igual entre os quatro destinatários. |
| Cinco | R$ 60 | Divisão igual entre os cinco destinatários. |
Exemplo hipotético, sem frete, embalagem ou desconto. Não descreve o gasto dos participantes da pesquisa.
O preço máximo de um presente e o valor total de um carrinho não são intercambiáveis. Um consumidor com R$ 300 disponíveis pode abandonar um item de R$ 250 se ainda precisar comprar para outras duas crianças. A situação é compatível com a distribuição observada, embora o estudo não tenha medido esse abandono.
Uma campanha centrada apenas em um produto de R$ 300 atenderia uma possibilidade desse orçamento. Exibir também combinações de dois itens de R$ 150 ou três de R$ 100 é uma hipótese comercial que nasce da pergunta sobre destinatários e precisa ser testada na loja.
A pesquisa permite dizer que cada comprador leva 1,87 presente?
Não. Dividir as 786 menções por 421 pessoas com intenção de presentear resulta em 1,87 criança por respondente desse grupo. A unidade medida é criança a presentear, não produto vendido, pedido concluído ou visita à loja.
Uma pessoa pode comprar dois produtos para a mesma criança, dividir a compra entre lojas ou desistir do presente. Duas pessoas da mesma família também podem mencionar a mesma criança. Por isso, transformar 786 menções em 786 vendas ou crianças distintas acrescentaria informações ausentes no questionário.
A média de 1,87 descreve a concentração dos destinatários declarados e deve permanecer vinculada à base de 421. Incluindo os 186 participantes sem intenção de presentear, a média seria 786 ÷ 607 = 1,29. Nenhuma das duas médias, isoladamente, é uma previsão de itens por carrinho.
Como o varejo pode organizar ofertas para quem presenteia várias crianças?
Uma aplicação testável é organizar a navegação por quantidade de destinatários e limite total de gasto. Os 237 respondentes que pretendem presentear duas ou mais crianças justificam investigar essa necessidade; não comprovam que um formato específico de vitrine aumentará a conversão.
Em um exemplo de catálogo, a loja pode apresentar escolhas para duas crianças por até R$ 150 no total, três por até R$ 240 e quatro por até R$ 300. Os valores são decisões hipotéticas de oferta. A utilidade é expor a soma antes de o consumidor montar o carrinho, sem confundir o limite total com preço por item.
Outra aplicação é permitir listas separadas por destinatário. Um consumidor que busca opções para uma criança de quatro anos e outra de dez não precisa necessariamente de dois produtos iguais. O recurso atenderia às necessidades de diferentes destinatários. Para definir as combinações, a loja pode acrescentar uma seleção por idade ou interesse e acompanhar quais opções seus clientes utilizam.
No atendimento presencial, uma pergunta objetiva seria: “para quantas crianças e com qual orçamento total?”. As duas respostas permitem selecionar opções diferentes de uma abordagem restrita a “quanto pretende gastar neste produto?”. A aplicação mostra como a leitura de uma pesquisa pode orientar uma hipótese de atendimento que o varejista consegue avaliar na própria operação.
Um kit com vários produtos resolve a necessidade de vários destinatários?
Somente se os itens puderem atender às crianças que receberão os presentes. Um conjunto com três peças destinadas a uma única criança continua sendo um presente para um destinatário. A pergunta do levantamento contou crianças, não a quantidade de componentes dentro de uma embalagem.
Considere duas ofertas hipotéticas: um jogo com três acessórios por R$ 120 e três presentes separáveis de R$ 40. Ambas custam R$ 120, mas apenas a segunda foi desenhada para três destinatários. Na primeira, a divisão pode comprometer o uso do produto; a equivalência de preço não demonstra equivalência de finalidade.
Para testar a hipótese de vários destinatários, a loja precisa explicar quantidade de presentes separáveis, preço total e eventual custo de embalagem. Um título como “três presentes por R$ 120” só deve ser utilizado quando a composição entregue corresponder a essa descrição.
Como saber se essa estratégia melhora as vendas?
A pesquisa de intenção deve ser complementada pelos dados da operação. Uma comparação testável poderia acompanhar duas versões de uma página com o mesmo catálogo e os mesmos preços: uma organizada por produto e outra por quantidade de destinatários, com distribuição controlada de visitantes.
Uma simulação ajuda a separar faturamento de resultado. Em mil visitas, uma versão com 20 pedidos de R$ 150 geraria R$ 3.000, enquanto outra com 18 pedidos de R$ 180 geraria R$ 3.240. A segunda teria receita maior e conversão menor. Os números são uma simulação editorial para exemplificar o acompanhamento comercial.
Antes de escolher uma versão, a loja ainda precisaria comparar margem, desconto, frete e devoluções. Uma combinação com receita adicional de R$ 240 não representa lucro adicional de R$ 240. A decisão de estoque também exige produtos efetivamente vendidos, não apenas intenção de presentear declarada em um formulário.
É possível comparar esses resultados com pesquisas nacionais?
É possível contextualizar, desde que as perguntas e as bases permaneçam separadas. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, o FGV IBRE, ouviu dois mil consumidores em setembro de 2025 sobre gastos e tipos de presentes. A pesquisa da Strong reúne 607 respostas de moradores da Região Metropolitana de São Paulo.
Cada levantamento conserva seu universo: as 786 menções calculadas a partir da pesquisa da Strong descrevem destinatários, enquanto os indicadores de gasto de outras fontes descrevem suas próprias populações. Essa separação permite utilizar as informações de maneira complementar no planejamento, sem misturar bases distintas em uma projeção de faturamento.
A pesquisa da Strong acrescenta uma leitura dos destinatários à discussão sobre consumo sazonal. O comunicado do FGV IBRE contribui com gastos e escolhas. Quando cada medida mantém sua base, os levantamentos oferecem perspectivas complementares para o planejamento do varejo.
Como a pesquisa aproxima a formação em Administração do comportamento do consumidor?
O trabalho combina questionários presenciais e on-line, organização de dados e análise descritiva de 607 respostas de moradores da Região Metropolitana de São Paulo. Na edição 40, os estudantes apresentam os resultados em gráficos e discutem aplicações para o marketing e a gestão varejista.
A pergunta sobre destinatários exemplifica esse percurso: seis categorias de resposta permitem identificar 421 participantes com intenção de presentear e, dentro desse grupo, 237 que pretendiam incluir mais de uma criança. A análise transforma as contagens em uma questão de negócio: como apresentar opções que respeitem o orçamento para vários destinatários?
Esse tipo de investigação conecta a aprendizagem à tomada de decisão. O aluno trabalha com uma base real, distingue o que foi perguntado e apresenta aplicações possíveis. O leitor encontra na pesquisa uma referência para construir testes de catálogo, atendimento e comunicação, usando os próprios dados da operação para avaliar os resultados.
Para conhecer a formação que abriga esse trabalho, consulte a graduação em Administração da Strong. O estudo completo, na revista Estudos e Negócios, permite acompanhar a passagem da pesquisa de campo à interpretação do comportamento de consumo.
Onde conferir as contagens e a metodologia?
As contagens estão no gráfico 4 do estudo Comportamento de consumo no Dia das Crianças: análise de intenção de compra na Região Metropolitana de São Paulo. Os percentuais de 56,3% e 39,0%, a soma de 786 menções e as médias de 1,87 e 1,29 são cálculos desta reanálise, não indicadores destacados originalmente pelos autores.
Nota de leitura: a análise descreve as 607 respostas da pergunta sobre destinatários, na Região Metropolitana de São Paulo. A publicação é de 2026; o levantamento não é apresentado aqui como uma previsão para a data desse ano. Menções podem incluir a mesma criança em respostas distintas.