Faculdade vale a pena? O que os dados mostram sobre formação, renda e carreira ...
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Faculdade vale a pena? O que os dados mostram sobre formação, renda e carreira

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19 de outubro de 2026

Veja como a formação superior se relaciona com renda e carreira. Conheça os dados analisados pela Strong e exemplos de aprendizagem aplicada em negócios.

Fazer faculdade está associado a renda maior e a taxas menores de desemprego e informalidade no Brasil. No quarto trimestre de 2025, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua apresentados pela Strong Business School mostram rendimento médio mensal de R$ 6.738 entre pessoas com superior completo, contra R$ 2.595 entre aquelas com ensino médio completo. A diferença de 159,7% ajuda a dimensionar a relação entre formação e oportunidades profissionais, tema examinado pelos professores da instituição na edição 40 da revista Estudos e Negócios.

O estudo da edição 40 da revista Estudos e Negócios permite avaliar a graduação por três critérios: quanto as pessoas ocupadas recebem, qual parcela da força de trabalho está desocupada e qual parcela dos ocupados trabalha na informalidade. Ao reunir os três indicadores, os pesquisadores da Strong traduzem as estatísticas do mercado de trabalho em informações úteis para quem planeja sua formação e sua carreira.

Quanto ganha quem tem faculdade em comparação com quem terminou o ensino médio?

O rendimento médio mensal de quem concluiu o ensino superior foi de R$ 6.738, ou R$ 4.143 acima dos R$ 2.595 recebidos pelo grupo com ensino médio completo, no recorte nacional apresentado pela revista. Para chegar à diferença percentual, a conta é: (6.738 ÷ 2.595 − 1) × 100 = 159,7%.

Em termos de proporção, o primeiro valor equivale a aproximadamente 2,60 vezes o segundo. Dizer que o rendimento é 159,7% maior não significa que ele corresponda a 159,7% do outro: o valor inicial representa 100%, aos quais se acrescenta a diferença de 159,7%.

Gráfico: médio incompleto, R$ 2.109; médio completo, R$ 2.595; superior incompleto, R$ 3.126; superior completo, R$ 6.738.
Rendimento médio mensal no Brasil, no quarto trimestre de 2025. Fonte: edição 40, figura 10; PNAD Contínua/IBGE.
Escolaridade e mercado de trabalho no Brasil — quarto trimestre de 2025
Escolaridade Rendimento médio mensal Desocupação Informalidade
Sem instrução e menos de um ano de estudo R$ 1.689 4,0% 69,1%
Fundamental incompleto R$ 1.912 5,2% 63,2%
Fundamental completo R$ 2.311 5,5% 51,9%
Médio incompleto R$ 2.109 8,7% 51,9%
Médio completo R$ 2.595 5,8% 34,5%
Superior incompleto R$ 3.126 5,6% 27,4%
Superior completo R$ 6.738 2,7% 18,9%

Fonte: revista Estudos e Negócios, edição 40, figuras 4 a 12; dados da PNAD Contínua/Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. “Ou equivalente”, presente nas categorias da fonte, foi omitido da tabela para facilitar a leitura. Desocupação usa a força de trabalho como base; informalidade usa a população ocupada.

Os R$ 6.738 reúnem trabalhadores de diferentes ocupações e etapas da carreira. A média permite comparar níveis de formação; a remuneração de entrada deve ser examinada na profissão escolhida. Essa distinção ajuda o estudante a relacionar o cenário nacional com as vagas e os caminhos de desenvolvimento que pretende seguir.

Quem termina a faculdade enfrenta menos desemprego?

Sim. A taxa de desocupação do grupo com superior completo foi de 2,7%, contra 5,8% entre pessoas com ensino médio completo e 5,6% entre aquelas com superior incompleto. A divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, confirma os percentuais de 2,7% e 5,6% no quarto trimestre de 2025.

Na comparação com o ensino médio completo, a diferença é de 3,1 pontos percentuais: 5,8 − 2,7. Em termos relativos, a taxa do grupo com graduação concluída é aproximadamente 53,4% menor. As duas formas de apresentar a diferença estão corretas, mas respondem a contas distintas.

Uma ilustração ajuda: em dois grupos hipotéticos de mil pessoas na força de trabalho, taxas de 5,8% e 2,7% corresponderiam a 58 e 27 pessoas desocupadas. A diferença seria de 31 pessoas por mil. É uma tradução das taxas, não a contagem de participantes de uma pesquisa realizada com esses dois grupos fictícios.

A desocupação considera pessoas sem trabalho que atendem aos critérios de procura e disponibilidade definidos pelo IBGE. Uma pessoa fora da força de trabalho não entra automaticamente nessa taxa. Por isso, o indicador não informa a proporção de todos os diplomados que estão empregados.

Por que renda e formalização também contam na escolha da formação?

Porque uma taxa menor de desocupação pode coexistir com renda baixa e informalidade elevada. No grupo sem instrução ou com menos de um ano de estudo, a desocupação foi de 4,0%, abaixo dos 5,8% do ensino médio completo. Entretanto, o rendimento foi de R$ 1.689 e a informalidade atingiu 69,1%.

Entre os trabalhadores com ensino médio completo, o rendimento de R$ 2.595 ficou R$ 906 acima desse primeiro grupo, enquanto a informalidade foi de 34,5%, diferença de 34,6 pontos percentuais. A leitura conjunta mostra o valor de acompanhar a qualidade da inserção profissional, incluindo remuneração e formalização.

O mesmo raciocínio orienta a leitura do superior completo: o grupo combina R$ 6.738 de rendimento, 2,7% de desocupação e 18,9% de informalidade. A formação superior aparece, assim, associada a condições mais favoráveis nas três dimensões avaliadas pelo estudo.

Painel compara quatro níveis de escolaridade em renda, desocupação e informalidade. Superior completo: R$ 6.738, 2,7% e 18,9%. Médio completo: R$ 2.595, 5,8% e 34,5%.
Comparação autoral dos dados da edição 40. As três dimensões têm bases próprias e não formam uma pontuação de qualidade.

O que muda quando o estudante conclui a graduação?

A conclusão da graduação aparece acompanhada de um diferencial de rendimento: o grupo com superior incompleto recebeu R$ 3.126 mensais, enquanto o grupo com superior completo recebeu R$ 6.738. A diferença entre essas médias é de R$ 3.612, equivalente a 115,5% do rendimento do primeiro grupo.

A desocupação também se distancia: 5,6% no superior incompleto e 2,7% no completo. Na informalidade, os valores foram de 27,4% e 18,9%, respectivamente. O contraste sugere que a conclusão merece atenção própria na decisão educacional, além do simples ingresso.

O contraste compara grupos com trajetórias distintas, incluindo estudantes em andamento e pessoas que já concluíram sua formação. Seu valor para o planejamento é evidenciar a conclusão como uma etapa própria do desenvolvimento profissional, junto da experiência adquirida e da ocupação exercida.

Para quem está cursando a graduação, o dado ajuda a formular uma pergunta concreta: quais condições permitem chegar à conclusão? Horário de trabalho, custo mensal e possibilidade de estágio entram nessa análise porque um planejamento limitado à matrícula não contempla o restante do curso.

A diferença de rendimento também aparece em São Paulo?

Sim. No estado de São Paulo, a revista informa R$ 7.372 para superior completo e R$ 2.933 para ensino médio completo. Na Região Metropolitana de São Paulo, os valores são de R$ 8.245 e R$ 2.920, no mesmo recorte trimestral.

Ensino médio completo e superior completo por abrangência geográfica
Recorte Médio completo Superior completo Diferença calculada
Brasil R$ 2.595 R$ 6.738 159,7%
Estado de São Paulo R$ 2.933 R$ 7.372 151,3%
Região Metropolitana de São Paulo R$ 2.920 R$ 8.245 182,4%

Fonte: edição 40, figuras 10, 11 e 12. Percentuais calculados a partir das médias publicadas, com arredondamento para uma casa decimal.

Os três recortes são sobrepostos: o estado inclui a região metropolitana, e o Brasil inclui ambos. Somar os valores ou tratá-los como três amostras independentes seria incorreto. A utilidade da tabela é mostrar que a associação entre escolaridade e renda aparece nas três escalas geográficas.

Por que duas comparações podem apresentar diferenças salariais distintas?

Porque a base de comparação muda o percentual. O rendimento nacional de R$ 6.738 para superior completo fica 159,7% acima dos R$ 2.595 do ensino médio completo. Quando a referência é a média geral de R$ 3.508 publicada no mesmo estudo, o diferencial passa a 92,1%.

As duas contas usam os mesmos R$ 6.738, mas respondem a perguntas diferentes. A primeira compara dois níveis de escolaridade; a segunda compara os diplomados com o conjunto dos trabalhadores, que inclui pessoas de várias formações. Anunciar apenas “ganha 159,7% a mais”, sem dizer em relação a quem, impede a conferência.

Na Região Metropolitana de São Paulo, a distinção também aparece. Os R$ 8.245 do superior completo ficam 182,4% acima dos R$ 2.920 do ensino médio completo, mas 74,4% acima da média regional de R$ 4.728. Esses percentuais não representam estudos em conflito: mudam o denominador da comparação.

Ao avaliar uma notícia sobre o retorno da faculdade, o leitor pode conferir quatro elementos: nível de formação comparado, grupo de referência, região e período. Trocar qualquer um deles altera a pergunta estatística. Os números deste artigo permanecem vinculados ao quarto trimestre de 2025 e aos recortes identificados nas tabelas.

Como o valor da formação se desenvolve ao longo da carreira?

O estudo da Strong identifica um diferencial de rendimento que acompanha diferentes etapas da vida profissional. A análise da Relação Anual de Informações Sociais, a RAIS de 2024, mostra rendimentos mais altos para o superior completo nas faixas etárias representadas, com o maior nível na faixa de 50 a 64 anos.

A leitura aproxima graduação e desenvolvimento de carreira. O diploma integra uma trajetória que também envolve experiência, exercício de funções e continuidade do aprendizado. Para o estudante, os números orientam uma visão que começa na primeira oportunidade e considera o crescimento em responsabilidades ao longo dos anos.

A RAIS observa o mercado formal, enquanto a PNAD Contínua abrange inserções formais e informais. A utilização das duas fontes na pesquisa da Strong amplia os recortes disponíveis: uma descreve remuneração por idade e formação; a outra permite comparar renda, desocupação e informalidade no conjunto do mercado de trabalho.

Como escolher uma graduação que combine formação e prática?

Uma comparação útil considera três elementos concretos: o conteúdo do curso, as atividades que aproximam o estudante das organizações e as áreas em que ele pretende atuar. Administração, Economia e Ciências Contábeis, por exemplo, conduzem a conjuntos próprios de funções, embora compartilhem a utilização de dados e o apoio à tomada de decisão.

Na Strong, a disciplina Consultoria Estratégica de Negócios oferece um exemplo documentado dessa aproximação: estudantes de Administração desenvolvem diagnósticos e recomendações para organizações reais. Os casos publicados nas edições 38, 39 e 40 da revista incluem RVS3D, ACISA e ObraSoft, com 59 iniciativas propostas no conjunto.

Essa atividade permite examinar uma característica da formação para além da duração do curso: quais problemas o aluno aprende a analisar e quais entregas consegue estruturar? Nos três casos, aparecem orçamento, descrição de funções, processos comerciais, marketing e indicadores de desempenho, aplicados às demandas de cada organização.

Para quem está escolhendo a graduação, consultar projetos desse tipo ajuda a visualizar o trabalho profissional. Uma tabela de remuneração mostra o cenário de inserção; os exemplos de aprendizagem aplicada mostram como conceitos de gestão se transformam em diagnósticos, análises e propostas durante a formação.

Como relacionar esses dados à profissão que você deseja exercer?

O primeiro passo é aproximar os indicadores da ocupação pretendida. Os R$ 6.738 do superior completo são uma referência nacional por escolaridade; a escolha entre Administração, Economia ou Ciências Contábeis pede também a leitura das atividades, competências e possibilidades de atuação de cada profissão.

O Guia de Carreiras da Strong e as opções de graduação da instituição podem apoiar essa comparação. Ao conhecer o que cada área faz, o estudante consegue relacionar seus interesses aos problemas que gostaria de resolver no mercado de trabalho.

O estudo da revista contribui com uma evidência para essa decisão: no quarto trimestre de 2025, o superior completo reuniu rendimento médio maior e taxas menores de desocupação e informalidade. O passo seguinte é transformar essa visão de conjunto em um percurso de formação coerente com a carreira escolhida.

De onde vêm os dados e como conferir os cálculos?

A base principal é o artigo O prêmio salarial da educação na economia brasileira: uma avaliação a partir de dados quantitativos, publicado na edição 40 da revista Estudos e Negócios. Os valores foram transcritos das figuras nacionais e regionais; as diferenças em reais, percentuais e pontos percentuais são cálculos desta análise.

A contribuição da pesquisa é tornar visível o valor da formação em três dimensões: renda, inserção e formalização. O contraste entre R$ 2.595 e R$ 6.738 oferece uma referência para planejar a carreira; conhecer os cursos e seus projetos ajuda a conectar essa referência à experiência de aprendizagem que o estudante deseja construir.

Nota de leitura: os valores são médias de grupos, com pessoas de diferentes experiências e ocupações. Os diferenciais não equivalem a um reajuste individual garantido nem isolam o efeito causal do diploma.

  1. Strong Business School. Estudos e Negócios, edição 40/2026, páginas 48–55 impressas; posições 52–59 no PDF.
  2. IBGE. PNAD Contínua Trimestral: resultados do quarto trimestre de 2025.

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