O Poder do Analista de Dados: John Snow – O mapa que parou a cólera em Londres em 1854 ...
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O Poder do Analista de Dados: John Snow – O mapa que parou a cólera em Londres em 1854

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Em 1854, John Snow mapeou as mortes por cólera no Soho e apontou uma bomba de água como origem do surto. Veja como ele analisou os dados.

Em setembro de 1854, o médico inglês John Snow identificou a origem de um surto de cólera no bairro do Soho, em Londres, ao marcar em um mapa o endereço de cada morte e perceber que quase todas se concentravam em torno de uma bomba de água na Broad Street. Ele apresentou os dados às autoridades locais em 7 de setembro, e a alavanca da bomba foi retirada no dia seguinte. O estudo é considerado o ponto de partida da epidemiologia moderna.

O mapa de Snow é um dos primeiros exemplos de análise de dados usada para tomar uma decisão pública. O raciocínio que ele aplicou, de cruzar localização com ocorrência e testar as exceções, é o mesmo que um analista de dados usa hoje.

Quem foi John Snow?

John Snow nasceu em York, na Inglaterra, em 15 de março de 1813, e obteve o título de doutor em Medicina pela Universidade de Londres em 1844. Era anestesista de prestígio: administrou clorofórmio à rainha Vitória em dois partos, em 1853 e em 1857. Morreu em Londres em 16 de junho de 1858, aos 45 anos.

O interesse pelo cólera vinha de antes do surto. Em 1849, ele havia publicado o ensaio On the Mode of Communication of Cholera, defendendo que a doença era transmitida pela água contaminada. A segunda edição, ampliada com os dados de 1854, saiu em 1855.

O que aconteceu na Broad Street em 1854?

O surto começou em 31 de agosto de 1854. Em três dias, 127 pessoas morreram na Broad Street e nas ruas vizinhas. Snow escreveu que “quase todas as mortes haviam ocorrido a curta distância da bomba da Broad Street”.

A explicação aceita na época era a teoria do miasma, segundo a qual doenças eram causadas pelo “ar ruim” que emanava de matéria em decomposição. Por essa teoria, não havia motivo para suspeitar de uma bomba de água.

Como John Snow encontrou a origem do surto?

Com quatro procedimentos que ele combinou:

  1. Entrevistas: conversou com os moradores para saber de onde cada vítima tirava água, com a ajuda do reverendo Henry Whitehead, que conhecia as famílias do bairro.
  2. Mapa de pontos: marcou os casos de cólera em torno da bomba, o que tornou visível a concentração.
  3. Exame da água: analisou amostras quimicamente e ao microscópio.
  4. Comparação estatística: confrontou as taxas de mortalidade de clientes de diferentes companhias de água.

Por que os trabalhadores da cervejaria não adoeceram?

Porque não bebiam água da bomba. Nenhum funcionário da cervejaria vizinha contraiu cólera: eles recebiam uma cota diária de cerveja, e a fervura do processo de fabricação eliminava a bactéria. A exceção reforçou a hipótese. Um bom analista não descarta o dado que foge do padrão, e sim verifica se ele confirma ou derruba a explicação.

O que causou a contaminação?

Uma fossa defeituosa, localizada a cerca de 90 centímetros (3 pés) do poço da bomba. A água usada para lavar as fraldas de um bebê que havia contraído cólera em outro lugar escoou para essa fossa e, dela, para o poço.

O que foi o “grande experimento” das companhias de água?

Foi a comparação que deu a Snow sua prova mais forte. Snow comparou as mortes por cólera entre os clientes de cada uma:

  • Southwark and Vauxhall Waterworks: 315 mortes por cólera a cada 10 mil casas;
  • Lambeth Waterworks: 37 mortes a cada 10 mil casas.

A diferença é de 8,5 vezes. A variável que separava os dois grupos era a origem da água. O desenho é o de uma comparação com grupo de controle, feito mais de um século antes de as empresas de tecnologia chamarem isso de teste A/B.

As autoridades aceitaram a conclusão?

Aceitaram a medida e rejeitaram a explicação. A alavanca da bomba foi retirada em 8 de setembro de 1854, depois recolocada, e o Conselho de Saúde atribuiu a epidemia de 1854 ao miasma. Admitir a transmissão pela água significava admitir que as pessoas estavam ingerindo esgoto, conclusão que as autoridades não quiseram assumir.

Snow morreu quatro anos depois, sem ver a teoria reconhecida. A confirmação veio com a teoria dos germes. Em 2003, leitores da revista britânica Hospital Doctor o elegeram o maior médico de todos os tempos.

O que o caso John Snow ensina a quem quer ser analista de dados?

Ensina que boa análise combina três coisas que Snow fez em 1854. A primeira é coletar o dado na fonte: ele foi de casa em casa, em vez de confiar nos registros prontos. A segunda é visualizar, porque o mapa mostrou em segundos o que uma tabela de endereços esconderia. A terceira é testar a hipótese contra as exceções e contra um grupo de comparação.

Ensina também uma lição menos confortável: ter razão não basta. Snow tinha os números de 315 contra 37 e ainda assim não convenceu o Conselho de Saúde. Parte do trabalho do analista é fazer a evidência ser aceita por quem tem motivos para não gostar dela. Formação, rotina e remuneração da área estão na página de Analista de Dados do Guia de Carreiras.


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