O Poder do Analista de Investimentos: Luiz Barsi – A carteira de dividendos construída em 50 anos de bolsa ...
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O Poder do Analista de Investimentos: Luiz Barsi – A carteira de dividendos construída em 50 anos de bolsa

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Luiz Barsi é o maior investidor pessoa física da bolsa brasileira. Veja como funciona a carteira de dividendos que ele construiu desde os anos 1960.

Luiz Barsi Filho, nascido em São Paulo em 10 de março de 1939, é o maior investidor pessoa física da bolsa brasileira, com patrimônio estimado em cerca de 4 bilhões de reais. Ele começou a investir na década de 1960 e construiu a fortuna comprando ações de empresas que pagam dividendos e reinvestindo o que recebia, ao longo de mais de 50 anos. Em 2021, recebia mais de 1 milhão de reais por dia em proventos.

O caso é o exemplo brasileiro mais conhecido de uma estratégia que todo analista de investimentos precisa saber avaliar: a carteira montada para gerar renda, e não para ser vendida com lucro.

Quem é Luiz Barsi?

Filho de imigrantes, Barsi perdeu o pai com um ano de idade e cresceu em um cortiço no bairro do Brás, em São Paulo. Trabalhou como engraxate a partir dos nove anos e, aos 14, entrou em uma corretora de valores.

Formou-se em Contabilidade, em Direito pela Faculdade de Direito de Varginha e em Economia pela Faculdade de Economia, Finanças e Administração de São Paulo. Foi editor de economia do jornal Diário Popular de 1970 a 1988. É conhecido no mercado como o “Rei dos Dividendos”.

Bilionário, mantém rotina simples no bairro do Tatuapé, em São Paulo, e usa o metrô para ir ao trabalho.

O que é a carteira previdenciária de Barsi?

É o método que ele desenvolveu para garantir independência financeira: acumular ações de boas pagadoras de dividendos até que os proventos cubram o custo de vida. Barsi compara os dividendos a aluguéis de imóveis. A ação é o imóvel, que não se vende, e o dividendo é a renda que ele produz.

Uma frase dele resume a filosofia: “A Bolsa é para formar renda, não para especulação”.

O modelo que ele recomenda é a compra mensal de mil ações da mesma empresa por 30 anos, com os dividendos passando a financiar novas compras a partir do oitavo mês. Segundo a Fast Company Brasil, ele se aposentou em dez anos.

Em quais setores e empresas Barsi investe?

Ele concentra a carteira em setores que identifica pela sigla BESST:

  • Bancos;
  • Energia elétrica;
  • Saneamento;
  • Seguros;
  • Telecomunicações.

São atividades de demanda estável, em que a receita varia pouco de um ano para outro e o lucro tende a ser distribuído. Entre as empresas associadas à sua carteira estão Banco do Brasil, Unipar, Eternit, Klabin, Itaúsa e Copel.

Qual é a história de Barsi com o Banco do Brasil?

É o exemplo mais citado do método. Barsi comprou ações do Banco do Brasil pela primeira vez em 1972, a 60 centavos por papel, e seguiu acumulando por décadas. Em 2021, ampliou a posição durante a queda do mercado. Ele se tornou o maior acionista pessoa física do banco.

Quanto Barsi recebe de dividendos?

Em 2021, mais de 1 milhão de reais por dia, o que corresponde a cerca de 400 milhões de reais no ano. O patrimônio em ações era estimado em 1 bilhão de reais em 2014 e em 4 bilhões em 2024. As estimativas variam conforme a fonte: a Suno registra 2 bilhões de reais em 2023.

Um levantamento da casa de análise Nord, com dados da Bloomberg e da XP Investimentos, simulou os dividendos de uma carteira hipotética com as posições atribuídas a Barsi entre 2014 e 2024. O resultado foi de 1,65 bilhão de reais em dez anos, com retorno médio anual de 10,2% só em dividendos. Uma única empresa, a Unipar, respondeu por 884,8 milhões de reais, mais da metade do total.

A ressalva é necessária: são estimativas de mercado sobre uma carteira montada com informações públicas, e não um extrato do investidor.

O método de Barsi tem riscos?

Tem, e os próprios números do caso os mostram:

  1. Concentração. Na simulação da Nord, 54% dos dividendos de dez anos vieram de uma só empresa. Uma carteira concentrada rende muito quando a aposta principal dá certo e sofre na mesma proporção quando dá errado.
  2. Prazo. O modelo fala em 30 anos de compras mensais. Poucos investidores mantêm a disciplina por três décadas, atravessando quedas como a de 2021 comprando mais, e não vendendo.
  3. Dividendo não é garantido. A empresa distribui lucro quando tem lucro. Um setor estável reduz o risco de corte, mas não o elimina.

Há ainda um ponto de partida que não se replica. Barsi começou nos anos 1960, entrou em uma corretora aos 14 anos e atravessou meio século de mercado brasileiro. Quem começa hoje copia o método, e não o resultado.

O que o caso Barsi ensina a quem quer ser analista de investimentos?

Ensina a separar preço de renda. A maior parte das conversas sobre ações gira em torno de quanto o papel vai subir. A pergunta de Barsi é outra: quanto essa empresa vai distribuir por ano, e por quantos anos? Responder a ela exige analisar geração de caixa, endividamento e política de distribuição, que é o trabalho central da análise fundamentalista.

Ensina também que estratégia depende do objetivo do cliente. Uma carteira previdenciária serve a quem quer renda futura e tem décadas pela frente, e pode ser inadequada para quem precisa do dinheiro em três anos. Cabe ao analista de investimentos fazer essa distinção antes de recomendar qualquer ativo. Formação, rotina e remuneração da área estão na página de Analista de Investimentos do Guia de Carreiras.


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