O Poder do Consultor: Vicente Falconi – O método de gestão por trás da Ambev ...
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O Poder do Consultor: Vicente Falconi – O método de gestão por trás da Ambev

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Vicente Falconi levou a gestão da qualidade japonesa a empresas como Ambev, Gerdau e Sadia. Veja o que é o método e como ele funciona.

Vicente Falconi, nascido em Niterói em 30 de setembro de 1940, é o engenheiro e professor que trouxe para o Brasil os métodos japoneses de gestão da qualidade e é sócio-fundador da consultoria que leva seu nome. Entre seus clientes estão a Ambev, a Gerdau, a Sadia e governos estaduais. Seus seis livros de gestão venderam mais de 1 milhão de exemplares, e em 2000 a American Society for Quality o incluiu entre as “21 vozes do século XXI”.

O caso mostra um caminho de carreira comum entre os grandes nomes da profissão de consultor empresarial: a consultoria como desdobramento de anos de estudo e de sala de aula.

Quem é Vicente Falconi?

Vicente Falconi Campos formou-se em Engenharia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1963 e obteve o doutorado em Engenharia pela Colorado School of Mines, nos Estados Unidos, em 1972. Foi professor da UFMG de 1964 a 1992 e recebeu da universidade o título de professor emérito.

São 28 anos de docência antes da dedicação integral à consultoria. O dado importa porque explica o estilo do método: didático, repetível e pensado para ser ensinado a milhares de pessoas dentro de uma empresa.

De onde veio o método?

Do Japão. Falconi trabalhou por longo período com a JUSE, a União Japonesa de Cientistas e Engenheiros, entidade de referência em controle de qualidade naquele país.

A origem das ideias é anterior e tem um nome americano. O estatístico W. Edwards Deming treinou centenas de engenheiros e gerentes japoneses em 1950 e defendeu que melhorar a qualidade reduz custos. O ciclo de melhoria contínua associado a ele, de planejar, executar, verificar e agir, é a base do que Falconi ensinou às empresas brasileiras décadas depois.

A cadeia tem três elos: um método estatístico nascido nos Estados Unidos, aperfeiçoado nas fábricas japonesas e adaptado por um professor mineiro à realidade das companhias do Brasil.

Quais são os livros de Falconi?

Seis títulos de gestão, entre eles:

  • TQC – Controle da Qualidade Total;
  • Gerenciamento da Rotina do Trabalho do Dia a Dia;
  • Gerenciamento pelas Diretrizes;
  • O Verdadeiro Poder.

Somados, venderam mais de 1 milhão de exemplares. Para livros técnicos de administração no mercado brasileiro, é um volume excepcional, e indica que foram usados como manual de trabalho dentro das empresas, e não apenas lidos por executivos.

O que os títulos revelam sobre o método?

Revelam dois níveis de gestão que ele separa com clareza:

  1. A rotina. O gerenciamento do dia a dia cuida de manter os resultados: padronizar as tarefas, medir e corrigir desvios. É o trabalho de cada área.
  2. As diretrizes. O gerenciamento pelas diretrizes cuida de melhorar os resultados: a direção define poucas metas prioritárias e as desdobra, nível por nível, até cada equipe saber qual é a sua parte.

A distinção responde a um erro frequente. Empresas lançam programas de metas ambiciosas sem ter a rotina sob controle, e o esforço se perde apagando incêndios. O método pede a ordem inversa: primeiro estabilizar, depois melhorar.

O que é o Método da Cumbuca?

É uma técnica de treinamento em grupo desenvolvida por Falconi. A equipe estuda um texto em capítulos, e a cada encontro um participante é sorteado para apresentar o conteúdo aos demais. Como ninguém sabe quem será o escolhido, todos precisam se preparar.

O nome vem do recipiente de onde se tira o nome sorteado. A técnica é simples e resolve um problema real de capacitação em empresas: o treinamento em que metade da sala não leu o material.

Por que a Ambev é o cliente mais lembrado?

Porque é o nome que encabeça a lista de clientes da consultoria, seguido por Gerdau, Sadia e vários governos estaduais.

A presença do setor público merece nota. O mesmo método de metas e indicadores aplicado em uma cervejaria e em uma siderúrgica foi levado a administrações estaduais, o que mostra a pretensão do método de servir a qualquer organização.

Que reconhecimento ele recebeu?

Três distinções documentadas:

  • 2000: nomeado uma das “21 vozes do século XXI” pela American Society for Quality;
  • Outubro de 2010: Medalha do Conhecimento;
  • 2014: incluído entre os 100 executivos de melhor reputação do Brasil.

O método tem críticas?

Tem. A gestão centrada em metas numéricas e cobrança intensa é eficiente para reduzir custos e aumentar produtividade, e pode produzir efeitos indesejados quando aplicada sem critério: pressão excessiva sobre equipes, foco no curto prazo e cortes que comprometem a capacidade de inovar.

Curiosamente, o próprio Deming alertava para esses riscos. Entre as “doenças mortais” da gestão que ele listou estão a ênfase em lucros de curto prazo e a gestão apoiada apenas em números visíveis. Um método de metas bem aplicado precisa desse contrapeso.

O que o caso Falconi ensina a quem quer ser consultor?

Ensina que método é o ativo de um consultor. Falconi não vendia opinião sobre cada empresa. Vendia um sistema testado, com livros, treinamento e vocabulário próprios, que o cliente conseguia continuar aplicando depois que a consultoria ia embora.

Ensina também que autoridade técnica se constrói devagar. Foram 28 anos de universidade e anos de trabalho com os japoneses antes da fama. O consultor empresarial que quer ser chamado pelas grandes empresas precisa de um corpo de conhecimento que seja reconhecidamente seu. Formação, rotina e remuneração da área estão na página de Consultor Empresarial do Guia de Carreiras.


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