Taxa de sobrevivência das empresas no Brasil: o que os dados do Sebrae mostram ...
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Taxa de sobrevivência das empresas no Brasil: o que os dados do Sebrae mostram

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05 de novembro de 2026

Sobrevivência das empresas no Brasil segundo o Sebrae: taxas por porte e setor, como se mede a baixa do CNPJ e por que os estudos divergem.

A taxa de sobrevivência das empresas brasileiras em 5 anos é de 53,1%, segundo o Sebrae: de cada 100 empresas abertas, cerca de 53 seguem com o CNPJ ativo após o quinto ano, e o número cai para 40,9% entre os MEI e sobe para 78,2% entre as microempresas. O dado vem do relatório técnico do Sebrae sobre empresas mercantis criadas entre 2020 e 2024, com base nos dados públicos de CNPJ da Receita Federal e situação cadastral verificada ao fim de 2024.

A tese deste artigo: não existe uma taxa de sobrevivência, existem várias, e cada uma só vale com três informações anexadas: a coorte de empresas analisada, o porte e a definição de "fechar". Quem cita "6 em cada 10 empresas fecham" sem dizer de qual estudo veio está repetindo um número sem contexto. Entender como esses números são construídos é parte da formação em gestão, e a graduação em Administração da Strong, com 4 anos de duração, é a formação da Strong voltada à gestão de negócios.

Qual é a taxa de sobrevivência das empresas no Brasil?

No relatório mais recente com tabela completa, a sobrevivência acumulada das empresas brasileiras é de 83,5% no 1º ano, 73,5% no 2º, 65,4% no 3º, 58,4% no 4º e 53,1% no 5º. O porte muda o resultado de forma radical:

Porte 1 ano 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos
MEI 78,7% 66,6% 56,3% 47,5% 40,9%
Microempresa (ME) 94,4% 89,1% 84,8% 81,2% 78,2%
Empresa de pequeno porte (EPP) 94,3% 89,0% 84,5% 80,7% 77,5%
Demais (médias, grandes e outras) 95,6% 91,4% 87,7% 84,2% 81,2%
Todas as empresas 83,5% 73,5% 65,4% 58,4% 53,1%

Fonte: Sebrae, relatório técnico "Sobrevivência das empresas mercantis brasileiras", coorte 2020–2024. A tabela mostra que o risco se concentra no MEI. Perder 59,1% dos MEI em 5 anos (100 − 40,9) contrasta com 21,8% das microempresas (100 − 78,2) e 22,5% das de pequeno porte (100 − 77,5).

As empresas que não são MEI, reunidas, têm 78,4% de sobrevivência em 5 anos no mesmo relatório. O total de 53,1% fica mais perto da taxa dos MEI (12,2 pontos percentuais de distância) do que da taxa das demais (25,3 pontos), o que indica que os MEI respondem pela maior parte das aberturas.

Como o Sebrae mede a sobrevivência de uma empresa?

O Sebrae usa a baixa do CNPJ como evento de fechamento e a situação cadastral como proxy de sobrevivência. O relatório explica a escolha: não há registro padronizado da operação real, então uma empresa é considerada viva enquanto o CNPJ está ativo. A consequência prática é que uma empresa parada, mas com CNPJ ativo, conta como sobrevivente.

Os demais parâmetros do estudo:

  • Fonte: dados públicos do CNPJ da Receita Federal.
  • Universo: empresas mercantis, ou seja, com fins lucrativos, que excluem administração pública, organizações associativas e organismos internacionais.
  • Coorte: empresas criadas entre 2020 e 2024, observadas até 31/12/2024; as ainda ativas nessa data são censuradas, isto é, entram na conta até o fim do período observado.
  • Método: estimador de Kaplan-Meier para as taxas, que lida com empresas abertas em anos diferentes, e regressão de Cox para o risco.

Esse último ponto responde a uma dúvida comum. Como a coorte reúne empresas abertas em anos diferentes, as taxas de 4 e 5 anos vêm principalmente das empresas abertas nos primeiros anos do período, e as de 1 ano, de todas as aberturas.

Por que o MEI tem a menor sobrevivência?

Os dados mostram onde ocorre a perda, mas o relatório mede a baixa do CNPJ e não as causas. No MEI, 21,3% das empresas já saem em até 1 ano (100 − 78,7), o que equivale a 36% de todas as baixas em 5 anos (21,3 ÷ 59,1). Na microempresa, 5,6% saem no primeiro ano (100 − 94,4), ou 25,7% das baixas do período (5,6 ÷ 21,8).

Isso indica que o primeiro ano é mais crítico para o MEI do que para a microempresa. Também indica que a baixa de um MEI não significa, necessariamente, falência: a baixa do CNPJ mede o encerramento cadastral, não a quebra, e o relatório reconhece o limite de usar o CNPJ como proxy.

Quais setores sobrevivem mais?

Entre os pequenos negócios (MEI, ME e EPP), a Construção Civil tem a maior sobrevivência em 5 anos e os Serviços a menor:

Setor (pequenos negócios) 1 ano 3 anos 5 anos
Construção Civil 86,9% 71,7% 60,4%
Indústria 84,5% 66,7% 54,4%
Agropecuária 82,0% 64,3% 53,1%
Comércio 83,9% 65,1% 52,6%
Serviços 82,2% 63,4% 50,8%

A diferença entre o melhor e o pior setor é de 9,6 pontos percentuais em 5 anos (60,4 − 50,8). Entre os MEI, a Construção Civil também lidera, com 51,5% em 5 anos, e a Agropecuária tem a menor taxa, com 37,3%. Quem escolhe o setor de um novo negócio deve cruzar esses números com a rotina de um Administrador, descrita no Guia de Carreiras da Strong.

Por que os estudos do Sebrae trazem números tão diferentes?

Porque cada estudo usa uma coorte e um método. A pesquisa "Sobrevivência das Empresas 2020", divulgada em 2021 com base em dados da Receita Federal e em pesquisa de campo, apurou mortalidade em 5 anos de 29% para MEI, 21,6% para microempresas e 17% para empresas de pequeno porte. O relatório técnico de 2025 apura, com outra coorte e outro método, 59,1%, 21,8% e 22,5% para os mesmos portes.

Porte Mortalidade em 5 anos, estudo divulgado em 2021 Mortalidade em 5 anos, relatório de 2025 (100 − sobrevivência)
MEI 29% 59,1%
Microempresa 21,6% 21,8%
Empresa de pequeno porte 17% 22,5%

Os números de ME são próximos nos dois estudos; os de MEI, não. As duas séries não são comparáveis diretamente, porque a coorte, a base e o método são diferentes, e o leitor deve citar sempre o estudo, o ano da coorte e o porte. Uma matéria que traga "a taxa de mortalidade do MEI" sem essas informações está misturando medidas. Para quem quer aprofundar a leitura de dados de negócios, há o MBA em Gestão Empresarial FGV.

O que a Revista da Strong mostra sobre a circulação desses números?

Segundo a Revista Estudos e Negócios, publicação da Strong Business School (nº 29, 2020, p. 92), a equipe de consultoria que atendeu a ACISA, associação empresarial de Santo André, justificou a criação de uma Academia de Negócios e Inovações com um levantamento do Sebrae-SP: micro e pequenas empresas somam quase 99% das empresas formais, empregam 67% da mão de obra e geram 28% da receita bruta anual do setor privado, e a mortalidade no período de 1 a 5 anos chegaria a 56%. O mesmo trecho aponta como dificuldades principais a falha de planejamento antes da abertura, a falha de gestão depois dela e a falta de visão empreendedora.

O exemplo mostra o problema da tese. O 56% de 2020 é um terceiro número, para micro e pequenas empresas em geral, diferente de todos os valores das duas tabelas acima, e circulou sem coorte nem porte. Para a decisão da ACISA, bastava a ordem de grandeza. Para quem planeja abrir um negócio, a ordem de grandeza não basta, porque o porte muda a conta.

Como a mistura de portes altera a taxa de uma carteira?

A taxa agregada depende da composição. A simulação usa as taxas de 5 anos do Sebrae sobre carteiras fictícias. Hipótese ilustrativa, não é dado real de abertura de empresas.

Carteira de 1.000 CNPJs abertos MEI sobreviventes ME sobreviventes Total Taxa agregada
600 MEI + 400 ME 600 × 40,9% = 245,4 400 × 78,2% = 312,8 558,2 55,8%
200 MEI + 800 ME 200 × 40,9% = 81,8 800 × 78,2% = 625,6 707,4 70,7%

Com as mesmas taxas por porte, a carteira com mais microempresas sobrevive 14,9 pontos percentuais a mais (70,7 − 55,8). A moral da conta é que comparar dois recortes de "empresas" sem olhar o porte pode mostrar diferenças que vêm só da composição.

O apoio de consultoria muda a sobrevivência?

O próprio Sebrae afirma que sim, em estudo de avaliação de impacto divulgado em maio de 2023: 77% dos pequenos negócios atendidos pela consultoria da instituição permaneciam ativos após cinco anos de abertura do CNPJ, contra cerca de 55% dos que não buscaram o apoio, diferença de aproximadamente 22 pontos percentuais. O resultado vem de uma instituição que presta o serviço avaliado, e deve ser lido como indício de associação, e não como prova isolada de causa.

O dado conversa com a ocupação do consultor empresarial, carreira descrita no Guia de Carreiras da Strong na página do Consultor Empresarial. Para consultar o salário da carreira, a referência é a página no Guia de Carreiras.

Que formações e carreiras lidam com a sobrevivência de negócios?

A leitura de indicadores, o planejamento antes da abertura e a gestão depois dela são tarefas do Administrador, cuja formação a Strong oferece na graduação em Administração, presencial, em turmas diurnas e noturnas em Santo André e Santos, com início em fevereiro de 2027. Para quem já atua e quer subir de nível, há o MBA em Gestão Empresarial FGV, de 18 meses, noturno e blended, com turmas previstas para março de 2027.

Fontes e metodologia

Todas as taxas de 2020–2024 vêm do relatório técnico "Sobrevivência das empresas mercantis brasileiras" do Sebrae (28/02/2025), publicado no DataSebrae, e foram lidas nas Tabela 1 e Figura 5 do relatório. Os dados da pesquisa "Sobrevivência das Empresas 2020" vêm da Agência Sebrae de Notícias (junho de 2021). O estudo de avaliação de impacto da consultoria é o divulgado pela Agência Sebrae em 24/05/2023. A tabela por setor usa os números de pequenos negócios e de MEI do mesmo relatório; os valores de microempresas e de empresas de pequeno porte por setor ficam no apêndice do relatório e não foram usados. Os dados de cursos e carreiras vêm das páginas da Strong e do Guia de Carreiras. Consultas feitas em 17/10/2026. As simulações e as subtrações percentuais são deste artigo, com a aritmética conferida.

Perguntas frequentes sobre a sobrevivência das empresas

Qual é a taxa de sobrevivência das empresas brasileiras em 5 anos?

Segundo o Sebrae, 53,1% para a coorte de empresas criadas entre 2020 e 2024: 40,9% entre MEI, 78,2% entre microempresas e 77,5% entre empresas de pequeno porte.

Por que o MEI fecha mais?

Os dados mostram que 21,3% dos MEI saem em até 1 ano, contra 5,6% das microempresas. O estudo mede a baixa do CNPJ e não as causas, que variam de caso a caso.

Baixa do CNPJ é a mesma coisa que falência?

Não. É o encerramento do cadastro. O Sebrae usa a baixa como proxy, porque não há registro padronizado da operação real.

Qual setor tem melhor sobrevivência?

Construção Civil, com 60,4% de sobrevivência em 5 anos nos pequenos negócios, contra 50,8% de Serviços.

Por que a estatística de "6 em cada 10 empresas fecham" circula tanto?

Porque é simples e vem de estudos sem coorte ou porte explicitados. A leitura correta exige informar o estudo, a coorte e o porte, como mostram as diferenças entre as edições do Sebrae.

Que curso ajuda a gerir um pequeno negócio?

A graduação em Administração e o MBA em Gestão Empresarial FGV, junto com a carreira de Administrador no Guia de Carreiras.


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