Taxa de sobrevivência das empresas no Brasil: o que os dados do Sebrae mostram
BlogSobrevivência das empresas no Brasil segundo o Sebrae: taxas por porte e setor, como se mede a baixa do CNPJ e por que os estudos divergem.
A taxa de sobrevivência das empresas brasileiras em 5 anos é de 53,1%, segundo o Sebrae: de cada 100 empresas abertas, cerca de 53 seguem com o CNPJ ativo após o quinto ano, e o número cai para 40,9% entre os MEI e sobe para 78,2% entre as microempresas. O dado vem do relatório técnico do Sebrae sobre empresas mercantis criadas entre 2020 e 2024, com base nos dados públicos de CNPJ da Receita Federal e situação cadastral verificada ao fim de 2024.
A tese deste artigo: não existe uma taxa de sobrevivência, existem várias, e cada uma só vale com três informações anexadas: a coorte de empresas analisada, o porte e a definição de "fechar". Quem cita "6 em cada 10 empresas fecham" sem dizer de qual estudo veio está repetindo um número sem contexto. Entender como esses números são construídos é parte da formação em gestão, e a graduação em Administração da Strong, com 4 anos de duração, é a formação da Strong voltada à gestão de negócios.
Qual é a taxa de sobrevivência das empresas no Brasil?
No relatório mais recente com tabela completa, a sobrevivência acumulada das empresas brasileiras é de 83,5% no 1º ano, 73,5% no 2º, 65,4% no 3º, 58,4% no 4º e 53,1% no 5º. O porte muda o resultado de forma radical:
| Porte | 1 ano | 2 anos | 3 anos | 4 anos | 5 anos |
|---|---|---|---|---|---|
| MEI | 78,7% | 66,6% | 56,3% | 47,5% | 40,9% |
| Microempresa (ME) | 94,4% | 89,1% | 84,8% | 81,2% | 78,2% |
| Empresa de pequeno porte (EPP) | 94,3% | 89,0% | 84,5% | 80,7% | 77,5% |
| Demais (médias, grandes e outras) | 95,6% | 91,4% | 87,7% | 84,2% | 81,2% |
| Todas as empresas | 83,5% | 73,5% | 65,4% | 58,4% | 53,1% |
Fonte: Sebrae, relatório técnico "Sobrevivência das empresas mercantis brasileiras", coorte 2020–2024. A tabela mostra que o risco se concentra no MEI. Perder 59,1% dos MEI em 5 anos (100 − 40,9) contrasta com 21,8% das microempresas (100 − 78,2) e 22,5% das de pequeno porte (100 − 77,5).
As empresas que não são MEI, reunidas, têm 78,4% de sobrevivência em 5 anos no mesmo relatório. O total de 53,1% fica mais perto da taxa dos MEI (12,2 pontos percentuais de distância) do que da taxa das demais (25,3 pontos), o que indica que os MEI respondem pela maior parte das aberturas.
Como o Sebrae mede a sobrevivência de uma empresa?
O Sebrae usa a baixa do CNPJ como evento de fechamento e a situação cadastral como proxy de sobrevivência. O relatório explica a escolha: não há registro padronizado da operação real, então uma empresa é considerada viva enquanto o CNPJ está ativo. A consequência prática é que uma empresa parada, mas com CNPJ ativo, conta como sobrevivente.
Os demais parâmetros do estudo:
- Fonte: dados públicos do CNPJ da Receita Federal.
- Universo: empresas mercantis, ou seja, com fins lucrativos, que excluem administração pública, organizações associativas e organismos internacionais.
- Coorte: empresas criadas entre 2020 e 2024, observadas até 31/12/2024; as ainda ativas nessa data são censuradas, isto é, entram na conta até o fim do período observado.
- Método: estimador de Kaplan-Meier para as taxas, que lida com empresas abertas em anos diferentes, e regressão de Cox para o risco.
Esse último ponto responde a uma dúvida comum. Como a coorte reúne empresas abertas em anos diferentes, as taxas de 4 e 5 anos vêm principalmente das empresas abertas nos primeiros anos do período, e as de 1 ano, de todas as aberturas.
Por que o MEI tem a menor sobrevivência?
Os dados mostram onde ocorre a perda, mas o relatório mede a baixa do CNPJ e não as causas. No MEI, 21,3% das empresas já saem em até 1 ano (100 − 78,7), o que equivale a 36% de todas as baixas em 5 anos (21,3 ÷ 59,1). Na microempresa, 5,6% saem no primeiro ano (100 − 94,4), ou 25,7% das baixas do período (5,6 ÷ 21,8).
Isso indica que o primeiro ano é mais crítico para o MEI do que para a microempresa. Também indica que a baixa de um MEI não significa, necessariamente, falência: a baixa do CNPJ mede o encerramento cadastral, não a quebra, e o relatório reconhece o limite de usar o CNPJ como proxy.
Quais setores sobrevivem mais?
Entre os pequenos negócios (MEI, ME e EPP), a Construção Civil tem a maior sobrevivência em 5 anos e os Serviços a menor:
| Setor (pequenos negócios) | 1 ano | 3 anos | 5 anos |
|---|---|---|---|
| Construção Civil | 86,9% | 71,7% | 60,4% |
| Indústria | 84,5% | 66,7% | 54,4% |
| Agropecuária | 82,0% | 64,3% | 53,1% |
| Comércio | 83,9% | 65,1% | 52,6% |
| Serviços | 82,2% | 63,4% | 50,8% |
A diferença entre o melhor e o pior setor é de 9,6 pontos percentuais em 5 anos (60,4 − 50,8). Entre os MEI, a Construção Civil também lidera, com 51,5% em 5 anos, e a Agropecuária tem a menor taxa, com 37,3%. Quem escolhe o setor de um novo negócio deve cruzar esses números com a rotina de um Administrador, descrita no Guia de Carreiras da Strong.
Por que os estudos do Sebrae trazem números tão diferentes?
Porque cada estudo usa uma coorte e um método. A pesquisa "Sobrevivência das Empresas 2020", divulgada em 2021 com base em dados da Receita Federal e em pesquisa de campo, apurou mortalidade em 5 anos de 29% para MEI, 21,6% para microempresas e 17% para empresas de pequeno porte. O relatório técnico de 2025 apura, com outra coorte e outro método, 59,1%, 21,8% e 22,5% para os mesmos portes.
| Porte | Mortalidade em 5 anos, estudo divulgado em 2021 | Mortalidade em 5 anos, relatório de 2025 (100 − sobrevivência) |
|---|---|---|
| MEI | 29% | 59,1% |
| Microempresa | 21,6% | 21,8% |
| Empresa de pequeno porte | 17% | 22,5% |
Os números de ME são próximos nos dois estudos; os de MEI, não. As duas séries não são comparáveis diretamente, porque a coorte, a base e o método são diferentes, e o leitor deve citar sempre o estudo, o ano da coorte e o porte. Uma matéria que traga "a taxa de mortalidade do MEI" sem essas informações está misturando medidas. Para quem quer aprofundar a leitura de dados de negócios, há o MBA em Gestão Empresarial FGV.
O que a Revista da Strong mostra sobre a circulação desses números?
Segundo a Revista Estudos e Negócios, publicação da Strong Business School (nº 29, 2020, p. 92), a equipe de consultoria que atendeu a ACISA, associação empresarial de Santo André, justificou a criação de uma Academia de Negócios e Inovações com um levantamento do Sebrae-SP: micro e pequenas empresas somam quase 99% das empresas formais, empregam 67% da mão de obra e geram 28% da receita bruta anual do setor privado, e a mortalidade no período de 1 a 5 anos chegaria a 56%. O mesmo trecho aponta como dificuldades principais a falha de planejamento antes da abertura, a falha de gestão depois dela e a falta de visão empreendedora.
O exemplo mostra o problema da tese. O 56% de 2020 é um terceiro número, para micro e pequenas empresas em geral, diferente de todos os valores das duas tabelas acima, e circulou sem coorte nem porte. Para a decisão da ACISA, bastava a ordem de grandeza. Para quem planeja abrir um negócio, a ordem de grandeza não basta, porque o porte muda a conta.
Como a mistura de portes altera a taxa de uma carteira?
A taxa agregada depende da composição. A simulação usa as taxas de 5 anos do Sebrae sobre carteiras fictícias. Hipótese ilustrativa, não é dado real de abertura de empresas.
| Carteira de 1.000 CNPJs abertos | MEI sobreviventes | ME sobreviventes | Total | Taxa agregada |
|---|---|---|---|---|
| 600 MEI + 400 ME | 600 × 40,9% = 245,4 | 400 × 78,2% = 312,8 | 558,2 | 55,8% |
| 200 MEI + 800 ME | 200 × 40,9% = 81,8 | 800 × 78,2% = 625,6 | 707,4 | 70,7% |
Com as mesmas taxas por porte, a carteira com mais microempresas sobrevive 14,9 pontos percentuais a mais (70,7 − 55,8). A moral da conta é que comparar dois recortes de "empresas" sem olhar o porte pode mostrar diferenças que vêm só da composição.
O apoio de consultoria muda a sobrevivência?
O próprio Sebrae afirma que sim, em estudo de avaliação de impacto divulgado em maio de 2023: 77% dos pequenos negócios atendidos pela consultoria da instituição permaneciam ativos após cinco anos de abertura do CNPJ, contra cerca de 55% dos que não buscaram o apoio, diferença de aproximadamente 22 pontos percentuais. O resultado vem de uma instituição que presta o serviço avaliado, e deve ser lido como indício de associação, e não como prova isolada de causa.
O dado conversa com a ocupação do consultor empresarial, carreira descrita no Guia de Carreiras da Strong na página do Consultor Empresarial. Para consultar o salário da carreira, a referência é a página no Guia de Carreiras.
Que formações e carreiras lidam com a sobrevivência de negócios?
A leitura de indicadores, o planejamento antes da abertura e a gestão depois dela são tarefas do Administrador, cuja formação a Strong oferece na graduação em Administração, presencial, em turmas diurnas e noturnas em Santo André e Santos, com início em fevereiro de 2027. Para quem já atua e quer subir de nível, há o MBA em Gestão Empresarial FGV, de 18 meses, noturno e blended, com turmas previstas para março de 2027.
Fontes e metodologia
Todas as taxas de 2020–2024 vêm do relatório técnico "Sobrevivência das empresas mercantis brasileiras" do Sebrae (28/02/2025), publicado no DataSebrae, e foram lidas nas Tabela 1 e Figura 5 do relatório. Os dados da pesquisa "Sobrevivência das Empresas 2020" vêm da Agência Sebrae de Notícias (junho de 2021). O estudo de avaliação de impacto da consultoria é o divulgado pela Agência Sebrae em 24/05/2023. A tabela por setor usa os números de pequenos negócios e de MEI do mesmo relatório; os valores de microempresas e de empresas de pequeno porte por setor ficam no apêndice do relatório e não foram usados. Os dados de cursos e carreiras vêm das páginas da Strong e do Guia de Carreiras. Consultas feitas em 17/10/2026. As simulações e as subtrações percentuais são deste artigo, com a aritmética conferida.
Perguntas frequentes sobre a sobrevivência das empresas
Qual é a taxa de sobrevivência das empresas brasileiras em 5 anos?
Segundo o Sebrae, 53,1% para a coorte de empresas criadas entre 2020 e 2024: 40,9% entre MEI, 78,2% entre microempresas e 77,5% entre empresas de pequeno porte.
Por que o MEI fecha mais?
Os dados mostram que 21,3% dos MEI saem em até 1 ano, contra 5,6% das microempresas. O estudo mede a baixa do CNPJ e não as causas, que variam de caso a caso.
Baixa do CNPJ é a mesma coisa que falência?
Não. É o encerramento do cadastro. O Sebrae usa a baixa como proxy, porque não há registro padronizado da operação real.
Qual setor tem melhor sobrevivência?
Construção Civil, com 60,4% de sobrevivência em 5 anos nos pequenos negócios, contra 50,8% de Serviços.
Por que a estatística de "6 em cada 10 empresas fecham" circula tanto?
Porque é simples e vem de estudos sem coorte ou porte explicitados. A leitura correta exige informar o estudo, a coorte e o porte, como mostram as diferenças entre as edições do Sebrae.
Que curso ajuda a gerir um pequeno negócio?
A graduação em Administração e o MBA em Gestão Empresarial FGV, junto com a carreira de Administrador no Guia de Carreiras.