O Poder do CEO: Satya Nadella – Como a Microsoft trocou o Windows pela nuvem
BlogSatya Nadella assumiu a Microsoft em 2014 e reorientou a empresa para a nuvem. A ação subiu quase dez vezes até 2023. Veja as decisões.
Satya Nadella assumiu a presidência-executiva da Microsoft em 4 de fevereiro de 2014, como sucessor de Steve Ballmer, e reorientou a empresa para a computação em nuvem. Sob sua gestão, a Microsoft levou seus principais produtos para a plataforma Azure, passou a oferecer o Office em aparelhos da concorrente Apple e aderiu ao Linux, sistema que antes combatia. Até novembro de 2023, a ação havia se valorizado quase dez vezes, com crescimento médio de 27% ao ano, depois de 14 anos de estagnação.
O caso mostra o que um CEO faz quando herda uma empresa lucrativa que parou de crescer: muda a estratégia e a cultura ao mesmo tempo.
Quem é Satya Nadella?
Satya Nadella nasceu em Hyderabad, na Índia, em 19 de agosto de 1967. Formou-se em engenharia elétrica pelo Manipal Institute of Technology em 1988, concluiu o mestrado em ciência da computação na Universidade de Wisconsin–Milwaukee em 1990 e o MBA na Universidade de Chicago em 1997.
Entrou na Microsoft em 1992, depois de trabalhar na Sun Microsystems. Passou 22 anos na empresa antes de chegar ao topo, em cargos como:
- vice-presidente sênior de pesquisa e desenvolvimento da divisão de serviços online;
- presidente da divisão de servidores e ferramentas, de 2011 a 2014;
- vice-presidente executivo do grupo de nuvem e empresas.
Na área de nuvem, a receita sob seu comando cresceu de 16,6 bilhões de dólares, em 2011, para 20,3 bilhões em junho de 2013, alta de 22%.
Qual era o problema da Microsoft em 2014?
A ação estava parada havia 14 anos. A empresa continuava dando lucro com o Windows e o Office, mas o mercado não acreditava que ela cresceria. O centro da estratégia era proteger o Windows, e os produtos eram pensados para funcionar melhor, ou só, dentro dele.
O que Nadella mudou?
Tirou o Windows do centro e colocou a nuvem. As decisões mais visíveis:
- Produtos na nuvem: levou o SQL Server, o Windows Server e as ferramentas de desenvolvimento para o Azure, a plataforma de nuvem da empresa.
- Office no iPad: liberou o pacote de escritório para o tablet da Apple, concorrente direta.
- Paz com o Linux: declarou que “a Microsoft ama o Linux”, e a empresa entrou na Linux Foundation como membro platina em 2016.
- Parcerias com rivais: abriu colaboração com Apple, Salesforce, IBM e Dropbox.
A lógica é a mesma nos quatro itens. A Microsoft deixou de exigir que o cliente usasse Windows para comprar seus produtos e passou a vendê-los onde o cliente estivesse.
Por que oferecer o Office no aparelho do concorrente?
Porque o cliente já estava lá. Manter o Office exclusivo do Windows protegia o sistema operacional e limitava a venda do pacote. Liberá-lo no iPad sacrificava um argumento de venda do Windows em troca de mais assinantes do Office. Nadella escolheu o produto que crescia.
Quais foram as grandes aquisições?
Três compras marcaram a gestão:
- Mojang, em 2014: 2,5 bilhões de dólares, pela empresa do jogo Minecraft.
- LinkedIn, em 2016: 26,2 bilhões de dólares.
- GitHub, em 26 de outubro de 2018: 7,5 bilhões de dólares.
As três têm algo em comum: são comunidades de usuários, e não produtos tradicionais de software. O GitHub, plataforma em que programadores guardam e compartilham código, é o exemplo mais simbólico. A Microsoft comprou o principal ponto de encontro do software de código aberto, movimento que seria impensável dez anos antes.
Como ele mudou a cultura da empresa?
Nadella passou a enfatizar empatia, colaboração e “mentalidade de crescimento”, a disposição de aprender em vez de provar que já se sabe. A missão da empresa foi reescrita: “empoderar cada pessoa e cada organização do planeta a conquistar mais”.
Em 2017, ele publicou o livro Hit Refresh, sobre a transformação. Em junho de 2021, assumiu também a presidência do conselho.
A gestão teve erros?
Teve, e um deles foi público. Em outubro de 2014, oito meses depois de assumir, Nadella disse em um evento que mulheres não deveriam pedir aumento. A reação foi imediata. Ele se desculpou no Twitter e em mensagem aos funcionários, classificando a própria resposta como “completamente errada”.
O episódio é útil pelo que veio depois. O pedido de desculpas foi rápido, sem justificativa e dirigido primeiro à equipe. É um exemplo de como um dirigente corrige um erro sem agravá-lo.
Qual foi o resultado?
A ação subiu quase dez vezes entre 2014 e novembro de 2023, ritmo de 27% ao ano. O reconhecimento veio em série: lista Time 100 em 2018 e 2024, Pessoa do Ano do Financial Times em 2019 e Executivo do Ano da revista Fortune no mesmo ano.
A remuneração acompanhou. Em 2024, Nadella recebeu 79,1 milhões de dólares, 63% acima dos 48,5 milhões de 2023.
O que o caso Nadella ensina a quem quer ser CEO?
Ensina que o produto mais lucrativo de uma empresa pode ser o que a impede de crescer. O Windows pagava as contas e ditava decisões que limitavam todo o resto. Mudar a prioridade exigiu contrariar a lógica que tinha feito a companhia grande.
Ensina também que estratégia e cultura andam juntas. Uma empresa treinada para proteger território não coopera com concorrentes só porque o presidente mandou. Nadella mudou o que a organização valorizava antes de cobrar o novo comportamento. Formação, trajetória e remuneração da função estão na página de CEO (Diretor Geral) do Guia de Carreiras.