O que é Recessão?
Veja todos os itens do glossárioRecessão é uma fase de queda disseminada da atividade econômica. No Brasil, quem a data oficialmente é o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE) da FGV IBRE, que a define como declínio da atividade “de forma disseminada entre diferentes setores”, e não a regra dos dois trimestres seguidos de queda do PIB. Pelo comitê, a recessão de 2014 a 2016 durou 11 trimestres, e outra começou no 1º trimestre de 2020.
Recessão é o mesmo que dois trimestres seguidos de queda do PIB?
Não. “Recessão técnica” é convenção de mercado; o CODACE olha a difusão da queda entre setores. Em 29 de junho de 2020, o comitê declarou que a recessão começara no 1º trimestre de 2020, com pico da atividade no 4º trimestre de 2019. O IBGE só divulgou o 2º trimestre em 1º de setembro de 2020, com queda de 9,7%, que tornou a recessão técnica visível dois meses depois.
O NBER, dos EUA, também descreve recessão como declínio significativo da atividade, disseminado pela economia e com duração de mais de alguns meses. Seus maiores pesos estão na renda pessoal real, sem transferências, e no emprego, não só no PIB.
Quanto durou e quanto custou a recessão de 2014 a 2016?
Segundo o CODACE, foram 11 trimestres, do 2º trimestre de 2014 ao 4º de 2016, com recuo de 8,6% do PIB entre pico e vale, pior que os 8,5% de 1981 a 1983. O desemprego seguiu depois: no 1º trimestre de 2017, a PNAD Contínua do IBGE registrou taxa de desocupação de 13,7%, ou 14,2 milhões de pessoas, 3,1 milhões a mais que um ano antes.
Como calcular a queda acumulada do PIB?
Multiplicando as variações, não somando. Exemplo, em simulação: quedas trimestrais de 1%, 2% e 1,5% dão 0,99 × 0,98 × 0,985 = 0,9556, ou seja, queda acumulada de 4,44%, e não 4,5%.
A conta pesa na volta: para recuperar o pico depois de cair 4,44%, o PIB precisa subir 4,64%. Depois de uma queda de 8,6%, como a de 2014 a 2016, precisa crescer 9,4%. Por isso o fim da recessão não é o fim da perda.
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