O Poder do Analista Financeiro: Harry Markopolos – O homem que fez as contas e desmascarou Madoff ...
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O Poder do Analista Financeiro: Harry Markopolos – O homem que fez as contas e desmascarou Madoff

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Harry Markopolos concluiu em 1999 que os retornos de Madoff eram impossíveis e avisou a SEC três vezes. Veja os sinais que ele identificou.

Harry Markopolos é o analista financeiro americano que concluiu, em 1999, que os retornos do fundo de Bernard Madoff eram matematicamente impossíveis, e passou nove anos tentando convencer a Securities and Exchange Commission (SEC), o regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos. Ele apresentou denúncias formais em 2000, 2001 e 2005. Nenhuma resultou em ação. Madoff só foi preso em dezembro de 2008, quando a fraude, estimada em 65 bilhões de dólares, desmoronou sozinha.

O caso mostra o que um analista financeiro bem treinado consegue enxergar em uma série de números, e quanto essa habilidade vale quando ninguém quer ouvir.

Quem é Harry Markopolos?

Harry Markopolos nasceu em Erie, na Pensilvânia, em 22 de outubro de 1956. Formou-se no Loyola College, em Maryland, em 1981, e concluiu o mestrado em Finanças no Boston College em 1997. Tem as certificações CFA, de analista financeiro, e CFE, de examinador de fraudes.

De 1991 a 2004, trabalhou na Rampart Investment Management, gestora de Boston especializada em opções, onde foi gestor de carteiras e diretor de investimentos.

Como ele descobriu a fraude?

Em 1999, um colega da Rampart, Frank Casey, soube que a Access International Advisors, parceira frequente da gestora, aplicava dinheiro com um administrador que entregava retornos altos e constantes. O administrador era Madoff.

Markopolos afirmou depois que soube em cinco minutos que os números não fechavam, e que precisou de mais quatro horas para reunir evidência suficiente de que se tratava de fraude.

Quais eram os sinais de alerta?

Três, todos extraídos da série de retornos do fundo:

  1. A curva de retornos era uma reta. O gráfico de rentabilidade subia em um ângulo quase perfeito de 45 graus, sem as oscilações que qualquer estratégia de mercado apresenta.
  2. Quase não havia mês negativo. Em um período de mais de 87 meses, o fundo registrava apenas três ou quatro meses de perda. No mesmo intervalo, o índice S&P 500 teve 28 meses negativos.
  3. O volume de opções não existia. Para executar a estratégia que dizia usar, Madoff teria de comprar mais opções na bolsa de Chicago do que o total efetivamente negociado nela.

O terceiro sinal é o mais forte, porque não depende de interpretação. Uma estratégia que exige mais contratos do que o mercado inteiro oferece não está sendo executada. O dinheiro vinha de outro lugar, e em um esquema de pirâmide vem dos novos investidores.

Por que a regularidade era suspeita?

Porque retorno e risco andam juntos. Um investimento ligado ao mercado de ações oscila com ele. Uma carteira que acompanha a bolsa nas altas e nunca cai nas baixas contraria a aritmética básica de finanças. Para um leigo, a constância parecia qualidade. Para um analista, era a prova de que os números eram fabricados.

O que a SEC fez com as denúncias?

Nada de efetivo. A cronologia:

  • Primavera de 2000: primeira denúncia formal, entregue ao escritório da SEC em Boston.
  • 2001: segunda apresentação, mais detalhada.
  • Novembro de 2005: memorando de 21 páginas com o título “O maior fundo de hedge do mundo é uma fraude”.

Todas foram ignoradas ou receberam investigação superficial. Markopolos temia pela própria segurança e pela da família, e disse ter vivido com esse medo até a prisão de Madoff.

Como a fraude terminou?

Madoff foi preso em dezembro de 2008. O valor reportado como desviado foi de 65 bilhões de dólares. Markopolos estimou as perdas reais entre 10 bilhões e 35 bilhões de dólares.

Em 4 de fevereiro de 2009, ele depôs ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Estados Unidos e declarou que houve “uma falha abjeta das agências reguladoras a quem confiamos o papel de vigias”. Em 2010, publicou o livro No One Would Listen: A True Financial Thriller.

Por que ninguém acreditou nele?

O caso sugere três razões. A primeira é a reputação: Madoff era uma figura conhecida de Wall Street, e a denúncia vinha de um analista de uma gestora pequena de Boston. A segunda é o interesse: os investidores estavam ganhando dinheiro e não tinham motivo para questionar. A terceira é técnica: o argumento do volume de opções exige conhecimento de derivativos para ser compreendido.

A lição incômoda é que a análise correta ficou nove anos disponível para a autoridade competente. O problema não foi falta de informação.

O que o caso Markopolos ensina a quem quer ser analista financeiro?

Ensina dois testes que servem para qualquer investimento ou balanço:

  • O resultado é compatível com o risco declarado? Retorno alto, constante e sem perdas é o sinal mais antigo de fraude.
  • A operação cabe no mercado? Vale conferir se o volume que a empresa ou o fundo diz movimentar existe de fato.

Ensina também que o analista financeiro tem de documentar e comunicar. Markopolos escreveu, datou e protocolou cada denúncia, e foi esse registro que permitiu ao Congresso reconstruir a falha do regulador. Formação, rotina e remuneração da área estão na página de Analista Financeiro do Guia de Carreiras.


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