O CSO organiza o processo de estratégia da empresa, prepara as alternativas que o CEO e o conselho decidem, avalia aquisições e parcerias, acompanha a execução e antecipa mudanças no mercado.
Conduz o ciclo de estratégia e a visão de longo prazo
O CSO define, com o CEO, como a empresa constrói a estratégia: o calendário, as perguntas que a diretoria precisa responder, os cenários a testar e o formato em que as alternativas chegam ao conselho. Nas estatais, o ciclo tem uma exigência legal: a Lei 13.303/2016 obriga a diretoria a apresentar, até a última reunião ordinária do conselho do ano anterior, o plano de negócios do ano seguinte e a estratégia de longo prazo para ao menos 5 anos. Em empresas privadas, o conselho cobra algo equivalente por força do artigo 142 da Lei das S.A.
Transforma a estratégia em prioridades e metas
Uma estratégia só é executada quando vira poucas prioridades com dono e indicador. O CSO coordena o desdobramento da visão em objetivos por diretoria, usando métodos como o Balanced Scorecard, proposto por Robert Kaplan e David Norton em 1992, ou os OKRs, e verifica se as metas das áreas se somam em vez de competir. Costuma ser o executivo que mais usa a palavra “não” no processo: corta iniciativas que não servem à direção escolhida.
Decide, com o CEO e o CFO, onde alocar capital e recursos
O estudo da McKinsey com 1.616 empresas americanas entre 1990 e 2005 mostrou que o terço que mais realocou capital entre seus negócios, em média 56% ao longo de 15 anos, obteve retorno total ao acionista de 10,2% ao ano, contra 7,8% do terço que menos o fez. Na análise até 2010, a diferença entre os que mais e os que menos realocaram subiu para 3,9 pontos percentuais ao ano. Alocar capital é a decisão em que a estratégia aparece no orçamento, e o CSO leva ao CFO a visão de longo prazo que o ciclo orçamentário anual tende a perder.
Conduz fusões, aquisições, parcerias e desinvestimentos
Em muitas empresas, a área de desenvolvimento corporativo reporta ao CSO. O trabalho envolve mapear alvos, estimar o valor da empresa por fluxo de caixa descontado e por múltiplos, estimar sinergias e negociar. Um exemplo hipotético: uma empresa-alvo com EBITDA de R$ 50 milhões, negociada a 8 vezes o EBITDA, vale R$ 400 milhões. Se as sinergias esperadas somarem R$ 10 milhões por ano, o mesmo múltiplo as avalia em R$ 80 milhões, e esse é o teto de ágio que se pode pagar sem transferir todo o valor ao vendedor. O CSO também recomenda vender o que deixou de se encaixar no portfólio.
Monitora o ambiente e antecipa mudanças
O CSO mantém um radar do que muda fora da empresa: tecnologias, regulação, concorrentes novos, comportamento do cliente e geopolítica. O caso da Kodak mostra o custo de ignorar o que a empresa já via. A BCG calcula, em pesquisa com 175 CSOs, que fatores de contexto, como política, tecnologia e clima, explicam quase metade da variação da lucratividade das empresas, e que 80% dos estrategistas consideram a gestão dessa complexidade central no seu trabalho.
Lidera transformações e iniciativas entre áreas
Segundo a Deloitte, quase dois terços dos CSOs lideram iniciativas de transformação entre áreas, e mais da metade conduz agendas que vão além do papel consultivo. Quando a empresa decide mudar de modelo de negócio, entrar num mercado ou integrar uma aquisição, o CSO costuma coordenar o escritório que acompanha o projeto, mesmo sem comandar as equipes que o executam.
Prepara o conselho e a governança da estratégia
O CSO monta, com o CEO, o material de estratégia que o conselho de administração discute: alternativas, premissas, riscos e indicadores de acompanhamento. O Código do IBGC (6ª edição, 2023) lista entre as competências do conselho definir as estratégias que norteiam as atividades da organização, e o CSO é quem alimenta essa discussão com análise independente. O papel exige discrição: decisões estratégicas, segundo o próprio Código, podem exigir confidencialidade.
Define o papel da IA e dos dados na estratégia
Na pesquisa da Deloitte, só 28% dos CSOs co-lideram as decisões de IA da empresa e 51% esperam uma parceria mais próxima com a tecnologia. A consultoria resume o desafio ao afirmar que os CSOs usam IA, mas raramente lideram com ela. O CSO que enxerga a IA como estratégia, e não só como ferramenta de análise, decide onde ela muda o modelo de negócio, onde ela ameaça a vantagem atual e quanto investir em dados e capacidade.
Monta e lidera a equipe de estratégia
A equipe de estratégia é pequena, e a Deloitte mostra que cerca de metade dos CSOs tem cinco ou menos subordinados diretos. O CSO escolhe analistas e gerentes com formação diversa, de finanças a tecnologia, e os protege do trabalho que desvia do foco. Um bom time de estratégia entrega poucas análises, bem fundamentadas, no momento em que a diretoria precisa decidir.